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Zumbi escutando blues


SEXTA-FEIRA É DIA DE POESIA

MÃO-DE OBRA

Tanussi Cardoso

o poeta é preso
e sua poesia queimada
e seus dentes quebrados
e sua língua cortada
pelo bem do país.

(os outros poetas
bebem cerveja
e promovem debates
sobre os rumos da Poesia.)

(poema de Tanussi Cardoso que estará na edição especial do Correio das Artes sobre 1968, a sair no final do mês. Artistas, escritores, intelectuais e jornalistas de todo o país e alguns do exterior participam da edição histórica. Aguardem)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h02
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Personas

José Lins do Rego
Há escritores que ficam para sempre.
Zé Lins é um deles.
Por obrigações acadêmicas, volto à leitura de “Menino de Engenho”.
Sem muitas invencionices, uma prosa que flui naturalmente e deixa o leitor preso às páginas que vêm a seguir.
Afora o sentimento de nostalgia que me deu.

Carlos Alberto Azevedo
“Arqueologia – Estudos & Pesquisas” é o título do livro que Carlos Azevedo (o pai) lança amanhã no Zarinha Centro de Cultura, a partir das 19 horas.
Carlos faz um trabalho sério e consciente sobre a arqueologia.
No livro que lança amanhã, faz um levantamento de quase todo patrimônio arqueológico do nosso estado.
Para Carlos, as descobertas arqueológicas não devem ficar restritas à comunidade científica. “É dever de todo arqueólogo repassar os dados de suas pesquisas para o público. Ele, com certeza, se interessa  por toda e qualquer descoberta arqueológica”.
É isso, Carlos.

Armandinho e Paulo Moura
Os dois músicos estarão hoje em João Pessoa hoje à noite e se apresentam na Praça do Povo do Espaço Cultural.
Vão fazer uma homenagem a Tom Jobim.
Estarei lá, na primeira fila, pois não.

Raimundo Carreiro
Bom escritor, vem surpreendendo na edição do Suplemento Literário de Pernambuco.
Uma edição melhor do que a outra.
Boa programação visual e a qualidade dos textos selecionados para publicação surpreende pela diversidade de temas.

Clotilde Tavares
A escritora prepara um livro de crônicas.
Será a seleção de textos publicados em sua coluna no jornal A União.
É para aguardar e ficar na fila de autógrafos.
Clotilde tem estilo e talento.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h22
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Quem não provoca, não é provocado

De Carlos Aranha, jornalista e poeta puto, no orkut:

“o sol está cada vez mais redondo e menos nas bancas das revistas dessas cidades ao redor, que bem quadradas estão, e a esta altura einstein, vivo fosse, s'arrependeria da teoria da relatividade, e tô de saco cheio das performances modernosas de um lado e dos discursos bolorosos de outro, pois a semana d'arte moderna foi uma gracinha e não deixaram o tropicalismo continuar seu curso e nada mais fácil que ter feito o concretismo e os cemitérios estão repletos de tumbas de suicidas e os vermes não fazem diferença entre comer os cadáveres dos intelectuais e dos ignorantes, dos rebeldes e dos que ficaram com as bocas escancaradas cheias de dentes esperando a morte chegar. o brasil faliu e falta a falha de san andreas engolir a cidade de los angeles. até um dia ou never more. poe?”



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h24
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E deixem que diga, que pensem, que falem

A Poesia Marginal não existe como um movimento, nem como um grupo de poetas com o mesmo ideário. O Tropicalismo sacudiu a cena brasileira da música popular e colocou em close a quebra das distinções entre erudito e popular, antigo e moderno, brega e bom gosto. Isto – é claro – na esteira da Antropofagia oswaldiana.
A Poesia Marginal bebeu na fonte do Tropicalismo. Mas bebeu muito pouco. Só meio copo. Na verdade os poetas marginais não sacavam quase nada da nossa tradição poética nem cultural. O próprio Chacal, em depoimento à revista Escrita, em 1977, declara: “(...) eu lia pouco, muitos contos de fadas, Monteiro Lobato”. Eram porraloucas. Com o desbunde, adolescentemente investiam contra tudo que se consolidara como valor literário. Mas ao contrário dos modernistas de 22, aos poetas marginais faltava um programa estético. Por quê? Porque eles mesmos, sendo contra a estética em vigor, queriam era malhar tudo que estivesse pela frente e tivesse valor literário consagrado. Malharam até João Cabral e os concretos, porque eram, diziam, demasiadamente tecnicistas.

(Amador Ribeiro Neto)

Passando à “poesia marginal” propriamente dita, na segunda parte de seu artigo, o professor Amador escreve: “a Poesia Marginal não existe como um movimento, nem como um grupo de poetas com o mesmo ideário”. É verdade: não existe mesmo. Tomando por base a (excelente) antologia da (também) professora Heloísa Buarque de Hollanda, “26 Poetas Hoje” (por questão de “foco” acho interessante tomar por base o que pode ser o principal – ou primeiro- “documento” desta geração, ou pelo menos um “documento” com reconhecimento “acadêmico”), o que vemos é uma absoluta diversidade ou pluralidade de vozes. O mencionado poeta Chacal aparece ali ao lado de outros como Geraldo Carneiro, Wali Salomão, Ana Cristina César, Francisco Alvim, Eudoro Augusto, Cacaso, Roberto Piva, Roberto Schwacz, Charles, para citar apenas os que me vêm à memória neste momento – totalmente diversos entre si, com propostas estéticas em muitos casos divergentes ou conflitantes. Dos acima mencionados, para ficar em apenas três, podemos atentar para a poesia extremamente sofisticada (academicamente falando) de Ana Cristina César, Geraldo Carneiro e Francisco Alvim – nenhum dos três tendo como referencial o concretismo (no caso do Geraldinho, crítico dos aspectos esterilizantes do concretismo) e, para ficar no terreno do que conheço, Ana C. e Geraldinho são formados em Letras pela PUC-RJ – digo isto porque não conheço a formação do Chico Alvim, sei apenas que é diplomata. Ao lado destes, na poesia “dita” marginal, temos poetas com (naquele tempo) menos conhecimento teórico, como Chacal e Charles, mas que nem por isto deixaram de produzir poesia de alta voltagem ( e não estou falando do valor “sociológico” e histórico do que escreveram).
(Aldemar Norek)

Muitos anos depois, quando começava a deixar de ser besta, me deparei com ‘Desabutino’:

quem quer saber de um poeta na idade do rock
um cara que se cobre de pena e letras lentas
que passa sábado a noite embriagado
chorando que nem criança a solidão

quem quer saber de namoro na idade do pó
um romance romântico de cuba
cheio de dúvidas e desvarios
tal a balada de neil sedaka

quem quer saber de mim na cidade do arrepio
um poeta sem eira na beira de um calipso neurótico
um orfeu fudido sem ficha nem ninguém para ligar
num dos 527 orelhões dessa cidade vazia

Aí tive que parar e começar a entender que os meus desconcertos anteriores tinham base direta na força com que estas palavras me pegavam. Comecei a saber mais, a querer saber de tudo sobre o Chacal, e permitir que sua dança fizesse parte de minha existência. Desta vez, conscientemente.
Então fico pensando (um gerúndio só no texto inteiro não tem problema): os senhores-sabedores da cultura nacional e que, pretensamente, não eram tão bobos assim como eu e nem tão ignorantes e que inclusive até reconheciam seu trabalho (vagamente lembro de algum texto que o elogiava), na realidade agiam com o mesmo despreparo e o mesmo desconcerto meus! Pois que somente agora Chacal recebeu um reconhecimento ‘Oficial’, um ‘prêmio’ pela APCA. E, para mim, isso é muito contraditório! Pela primeira vez! No dia 05 de maio de 2008, segunda-feira, no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo. Tudo bem, muito simpático da parte da APCA e tudo, mas, pô: primeira vez! É tão pouco! E somente agora!.
(Claudinei Vieira)

Leia os 3 textos na íntegra em www.cronopios.com.br



Escrito por Linaldo Guedes ?s 14h44
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E se a net não existisse?

Seria uma loucura, não?

Estamos viciados mesmo na Internet e dependemos mais dela do que imaginamos.

Ontem não atualizei este blogue.

Também mal pude trabalhar no jornal.

É que a linha de acesso à net aqui no jornal deu pane geral.

Resultado: o dia todo sem poder trabalhar. Sem acesso a e-mails, sites e blogues.

Tivemos que reduzir o número de páginas do jornal e recorrer à velha tesourapress para conseguir colocar uma edição hoje nas ruas.

É isso que chamam globalização?



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h44
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SEXTA É DIA DE POESIA

Dias de Peter Pan

Rodrigo de Sousa Leão

Eu brincava de soldados de chumbo

enquanto outros soldados reais brincavam

com o povo. A gente jogava ovo e eles

cuspiam balas de suas metracas. A matraca

tinha que ficar calada. Não se podia dizer

nada. E invadiram o apartamento de Everaldo

dizendo que era um aparelho. O mundo não

era vermelho, mas nosso sangue era. Não me

lembro se era primavera. Não me lembro de

nada. Lembro que vovó berra. Que ninguém

ali vestia azul e sua sorte mudara. Meu pai

me contou que a coitada da Nara cantava

muito bem e tinha um sorriso preciso. Algum

primo meu teve que se esconder. O que era o

viver? Era um inferno elegante. As nuvens

viviam cinzas. As tropas por todo o lado

procurando culpados. Alguns torturados.

Outros vivendo com o medo. Todos podiam

ser o segredo. E alguns cagoetavam e um

sumia pra nunca mais. Outro dia não era

outro. Vivíamos a exceção. Vivíamos o

mesmo dia. Um dia que não termina na cuca.

Que vive até hoje na minha terra do nunca.

 

(Poema de Rodrigo de Souza Leão que estará na próxima edição do Correio das Artes. A edição é pra ler e guardar. Traz textos, poemas, contos e depoimentos sobre o ano de 1968. Escritores como Moacyr Scliar, Sérgio de Castro Pinto, Rinaldo de Fernandes, Amador Ribeiro Neto, João Batista de Brito, Afonso Romano de Sant´Ana, Bráulio Tavares, João de Lima, Cunha de Leiradella, Tanussi Cardoso, Vitória Lima e Clotilde Tavares, entre outros, integram a edição especial, que sairá no final do mês)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h26
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Notas avulsas

A jovem contista Amanda K. está com tudo e está prosa.
Ela recebeu esta semana a informação de que dois de seus contos serão distribuídos em ônibus das empresas de transporte coletivo da região metropolitana de Belo Horizonte.
É um projeto cultural interessante de Minas. Poderia ser imitado em outras plagas.
Parabéns a Amanda.

E Chacal, hein?
O poeta recebeu esta semana, pela primeira vez, um troféu pela qualidade de seu trabalho literário.
Veio da APCA – Associação Paulista de Críticos de Artes.
A entrega do troféu foi segunda-feira, no Teatro Sérgio Cardoso.
Parabéns a Chacal.

O cantor e compositor paraibano Adeildo Vieira lança amanhã o primeiro DVD de sua carreira, intitulado “Chega Junto”. O evento acontece no Gabinete Cultural do vereador Fuba, na Praça Antenor Navarro, às 21h00.
Logo após a apresentação do DVD, acontece o show de Zé Violla Progessive Band, uma das maiores referências do cenário musical de João Pessoa na atualidade.
O DVD “Chega Junto” foi gravado em novembro do ano passado no Teatro Santa Roza e nele Adeildo Vieira canta músicas de sua autoria e parcerias. Há participações especiais de Gláucia Lima, Eleonora Falcone, Débora Vieira, Clara Costa, Dida Vieira, Glória Fonseca, Juraci Azevedo, Manuela Azevedo e Neuza Flores (viúva de Jackson do Pandeiro).
Adeildo é um dos nossos grandes talentos musicais.

A revista independente Coyote, editada em Londrina (PR) e patrocinada pelo PROMIC (Programa Municipal de Incentivo à Cultura) traz em seu 16º número um dossiê com o quadrinista paulistano Marcatti (autor de gibis como Lodo, Mijo, Refugo, Prega, Ventosa e Frauzio). Em entrevista a  Ademir Assunção, ele revisita sua carreira, fala sobre seu processo criativo, de escatologia, e da parceria com Glauco Matoso em Glaucomix.
Coyote traz textos de uma das mais importantes poetas latino-americanas do século 20, a argentina Alejandra Pizarnik (1936-1972), traduzidas por Ana Maria Ramiro, e do poeta contemporâneo canadense Robert Melançon (introduzido e traduzido pela professora Jerus Pires Ferreira).
O número presta homenagem à obra poética de Marcos Prado (1961-1996), com uma mini-antologia de sua obra em apresentação de Thadeu Wojciechowski, que escreve: "Prado é destes poetas que tiveram a coragem (ou imprudência?) de impregnar a chama eterna da poesia que tanto amava com os fragmentos descartáveis da vida".
COYOTE é uma publicação da Coyote Edições, editada por Ademir Assunção, Marcos Losnak, Maurício Arruda Mendonça e Rodrigo Garcia Lopes. Projeto gráfico de Marcos Losnak. Tem periodicidade trimestral e distribuição nacional (em livrarias) pela Editora Iluminuras. Tiragem de 1 mil exemplares.

A soberba derrotou o Flamengo.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h11
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A dedicatória de Chacal (2)

Amador Ribeiro Neto

Até no “youtube” a mesa redonda com Chacal foi parar. Numa homenagem a Lau Siqueira (em tempo: grande poeta!) minha fala questionando a existência estética da poesia marginal aparece citada como datada, sem propósito. O ator em cena faz um muxoxo diante de minha indagação. Era a citação de um texto de Lau em seu blog. Texto que o próprio Lau reviu depois. E pôde explicar melhor.
Não sou o porta-voz de uma universidade caduca, fossilizada no berço esplêndido do cânone, como Chacal insinuou. Todos que me conhecem sabem que sou um “scholar”, naquilo que este termo encerra de pesquisador, estudioso e aplicado intelectualmente. Mesmo porque sou um dos mais antiacadêmicos da universidade. Aqueles que foram ou são meus alunos, e aqueles que me lêem, sabem disto. É falso contrapor a universidade à rua. Como se uma das duas estivesse com a razão. E a razão fosse excludente. Bobagem.
E mais: minha fala não foi censora, como afirmou Chacal. Credito esta palavra ao desespero da hora, na busca argumentativa do vale-tudo pró-Poesia Marginal. Afinal ele e eu fomos vítimas da ditadura militar. No meu caso, fui perseguido tanto por policiais e dedo-duros em passeatas como por telefonemas anônimos ameaçando a vida de minha filha recém nascida. Ele e eu vivemos a ditadura dos anos 70 até meados de 80. Sabemos quão aterrorizante ela foi. Por isto a palavra censura é em absoluto infeliz. Além de um destempero. Credito à pane que acometeu Chacal ante meus argumentos embasados.
A Poesia Marginal se diz influenciada pelo Modernismo e pelo Tropicalismo. Dois movimentos marcadamente expressivos e inventores de linguagens. Mas a vinculação com o primeiro não passa do uso diluído do humor e da oralidade. Com o Tropicalismo se deu o mesmo. Do revolucionário movimento que desestruturou para sempre os limites entre popular e erudito, bom e mau gosto, doméstico e internacional, a Poesia Marginal ficou com o desbunde. A porra-louquice. Pena. Porque os tropicalistas souberam usar tanto a Poesia Concreta como o genuíno Oswald.  Tanto a bandinha de coreto como Stravinsky.
O próprio Chacal, ao falar de sua formação intelectual, declarou em 1977: “Eu lia pouco, muitos contos de fada, Monteiro Lobato”. Claro que isto vai repercutir na “poesia” dele. Depois de três horas e cinco minutos de mesa redonda ele, gentilmente, me presenteou com um exemplar da revista “O carioca” com a taxativa dedicatória: “Ao professor Amador, por seu rigor necessário, pela sua sinceridade. Abraços. Chacal. 21.04.2008”.

(Coluna de Amador Ribeiro Neto publicada no jornal A União, edição de 6 de maio de 2008)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h23
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Correio das Artes pergunta:

Este ano, estamos comemorando 40 anos dos acontecimentos de maio de 68. Aliás, o ano foi pródigo em acontecimentos marcantes, nas mais diversas áreas, da política à cultura.

O Correio das Artes de maio deste ano, fará uma retrospectiva da importância daquele ano e pergunta a você, leitor, escritor, artista e/ou colaborador:

1.     O que você estava fazendo em maio de 1968?
2.     Qual importância dos acontecimentos daquele ano para a sua formação política, cultural, ideológica e afins?

 Aguardamos respostas até a madrugada de quinta pra sexta-feira desta semana. As respostas (ou outro texto, conto ou poema sobre o tema que você queira enviar) serão incluídas nesta edição histórica do Correio das Artes. As respostas podem ser enviadas para os e-mails: linaldoguedes@uol.com.br linaldo.guedes@gmail.com e linaldoaquino@ig.com.br

De antemão, nossos agradecimentos...



Escrito por Linaldo Guedes ?s 10h43
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Marcha do Vazio

Linaldo Guedes

A Marcha da Maconha, que depois virou Marcha da Democracia, terminou, infelizmente, em Marcha da Confusão. Manifestantes e policiais se confrontaram na orla da Tambaú neste final de semana e a marcha acabou manchada (desculpem o trocadilho). Uma pena que essas coisas ainda aconteçam em pleno século XXI. Mas, independente de qualquer coisa, podemos afirmar, também, que um outro nome para a manifestação seria o de Marcha do Vazio.

Estamos em pleno Maio de 2008. Ou seja, 40 anos depois do ano que não terminou, segundo Zuenir Ventura, e que se tornou em emblemático pela quantidade de eventos e movimentos culturais, políticos e sociais que eclodiram em todo o mundo, com jovens indo às ruas e fazendo valer seus protestos sobre quaisquer assunto que gerasse a sua revolta.

Era época da contracultura, do movimento hippie, da liberação feminina, das manifestações culturais em todos os segmentos, do “quem sabe faz a hora não espera acontecer”, de ditaduras, de Glauber Rocha, Tropicalismo e outros ismos que agitaram o ano de 1968.

Parecia que naquela época os jovens tinham porque lutar. Maio de 68, por exemplo, se tornou emblemático por conta de  uma greve geral que aconteceu na França. Alguns filósofos e historiadores afirmaram que essa rebelião foi o acontecimento revolucionário mais importante do século XX, por que não se deveu a uma camada restrita da população, como trabalhadores ou minorias, mas a uma insurreição popular que superou barreiras étnicas, culturais, de idade e de classe. Começou como uma série de greves estudantis que irromperam em algumas universidades e escolas de ensino secundário em Paris, após confrontos com a administração e a polícia. A maioria dos insurretos eram adeptos de idéias esquerdistas, comunistas ou anarquistas. Muitos viram os eventos como uma oportunidade para sacudir os valores da "velha sociedade", dentre os quais suas idéias sobre educação, sexualidade e prazer.

E hoje, em maio de 2008, contra quem lutamos? Pela discriminalização da maconha. Nada contra (claro, claro, claro), que o cidadão tenha o seu direito ao fuminho da cada dia. O livre-arbítrio ainda deve prevalecer acima de tudo. Mas é como se na falta de rebeliões ideológicas, sociais, culturais e políticas os jovens de hoje estejam se preocupando com coisas que não têm a força de alterar os destinos da humanidade.

Não temos mais ditadura, nem instabilidade econômica. Na música e na literatura, tudo tão homogêneo, sem laivos de rebeldia justificada. Aliás, a cultura brasileira de uma forma geral anda tão doce quanto jiló. Tudo tão passivo e comportado, assim como a ausência de ideais mais consistentes por parte da juventude. Por isso a Marcha do Vazio. Do vazio de idéias e ideais. Afinal, ser jovem é protestar. Independente de por qual motivo seja.

(artigo publicado na edição de 6 de maio do jornal A União)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 07h31
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A Marcha da Democracia em João Pessoa

Dôra Limeira

Tenho 70 anos e quero contar a quem interessar possa tudo o que ví ontem na praia. Eram aproximadamente 17 horas quando chegamos, eu, minha filha e o namorado dela, ao local de onde sairia a Marcha de Democracia. Havia muitos jovens, muitas cores, sorrisos, brincadeiras e palavras de ordem. Era muita a energia que ali estava canalizada. Portavam e exibiam toscos cartazes em cartolinas, com mensagens escritas com pincel atômico.

O que queriam aqueles jovens assim irmanados naquele momento, naquele espaço? O que diziam aqueles cartazes e faixas rústicas, algumas, podia-se ver, confeccionadas em casa? O que queriam eles em cima de um pequeno carro de som, bradando num microfone? Por que tanta agitação ontem à tarde?

Em dado momento, um jovem aparentando ter 22 anos, explicou no microfone: eles estavam organizados para seguir em caminhada ao longo de toda a orla, em defesa de suas expressões. Queriam eles que fossem respeitadas as suas opiniões, seu direito de ir e vir, queriam falar, dizer. Queriam sorrir, jogar fora mordaças, bradar por liberdade de manifestação. Era um espetáculo bonito de se ver, movimento incisivo, mas ordeiro, pacifico. 

A marcha deveria seguir acompanhando o carro de som, de Tambau até final de Manaira. Nesse percurso, haveria música, animação de rua, palavras de ordem, tudo dentro da ordem, da lei. No entanto, em dado momento, percebi um tumulto se formando em torno do carro de som. O que seria? Policiais de trânsito e policiais militares anunciaram que o carro não podia prosseguir, alegavam irregularidades burocráticas.

 Aquilo foi mesmo que jogar água fria na fervura. Mas a turma acatou, mesmo que a contragosto, fazer o que. A turma era gente do bem. Fariam a festa ali mesmo, em volta do carro, os microfones ligados, a música tocando, a multidão dançando no meio da rua. Não haveria a caminhada, mas apenas um protesto.

Gentes sentavam no asfalto, encenavam mordaças, alguns iniciavam coros dizendo abaixo a repressão, democracia sim. Mas as autoridades só queriam truculências, tumultos. Policiais desligaram o som do carro, repuxaram fios, danificaram a instalação e fizeram um cinturão em torno do carro de som, como quem diz aqui ninguém encosta mais.

Exacerbaram-se os jovens, até então muito calmos. Os policiais disseram vamos levar o carro. Os jovens disseram que não. Um rapaz se deitou na frente do carro para impedir, os policiais arrastaram o corpo do rapaz para que saísse da frente à força. Os policiais extrapolaram em suas posturas e levaram o carro embora. Vi quando os policiais espancaram um moço.

Até então, eu tinha permanecido distante, observando e me indignando com tudo que estava acontecendo. Ouvi impropérios, gritos de abaixo a repressão, insultos de lado a lado. De repente, que horror. Tropa de cavalaria invadiu a rua, os cavalos se postaram em posição de atacar. A turma se irmanou mais e entoou ouviram do Ipiranga as margens plácidas, de um povo heróico o brado retumbante, o sol da liberdade em raios fulgidos brilhou no céu da pátria nesse instante.

O hino nacional avançou nas vozes afinadas dos manifestantes. Os cavalos ameaçaram pisotear todos. Vi repentinamente quando os animais avançaram na multidão, bombas de efeito moral explodiram. Meninos, rapazes e moças, senhores e senhoras, anciãs e anciãos correram atabalhoados para escapar das patas dos animais. Entrei em pânico, todos entraram em pânico.

Algumas pessoas tentaram se proteger entrando nos bares, os cavalos entraram também nos bares, uma multidão correu para a areia da praia, tentando se proteger, os cavalos invadiram a areia galopando atrás da multidão. Eu não via mais nada, sabia apenas que precisava correr muito na areia. Finalmente, senti braços protetores em meus ombros e ouvi alguém me dizendo palavras de conforto. Era minha filha e o namorado dela falando comigo. Alguns rapazes desconhecidos também me cercaram em gestos de proteção. Essas coisas não são fictícias, eu vi tudo. Os canais de televisão estiveram filmando. Meu nome é Dôra Limeira, tenho identidade, cpf e endereço fixo. Pago os impostos em dia, sou professora aposentada.

(Dôra Limeira é escritora paraibana)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 10h37
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Para começar a semana feliz

"Eu sempre Te amarei,
Onde Estiver Estarei,

OH MEU MENGOOO

Tu es time de tradição

raça amor e paixão...

OH MEU MENGOOO



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h05
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VÉSPERA DE FERIADO TAMBÉM É DIA DE POESIA
  
 
CHOPP

Carlos Pena Filho

Na avenida Guararapes,
o Recife vai marchando.
O bairro de Santo Antonio,
tanto se foi transformando
que, agora, às cinco da tarde,
mais se assemelha a um festim,
nas mesas do Bar Savoy,
o refrão tem sido assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.
Ah, mas se a gente pudesse
fazer o que tem vontade:
espiar o banho de uma,
a outra amar pela metade
e daquela que é mais linda
quebrar a rija vaidade.
Mas como a gente não pode
fazer o que tem vontade,
o jeito é mudar a vida
num diabólico festim.
Por isso no Bar Savoy,
o refrão é sempre assim:
São trinta copos de chopp,
são trinta homens sentados,
trezentos desejos presos,
trinta mil sonhos frustrados.

(Carlos Pena Filho nasceu em 1930  e morreu em 1960 em Recife. Agora, deixa o zumbi sair. Tem mais de tinta copos de chopp esperando por ele neste feriado. Até segunda-feira )



Escrito por Linaldo Guedes ?s 14h15
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Quartas Histórias na Sorbonne

Olha só que notícia boa.
O livro “Quartas Histórias”, organizado por Rinaldo de Fernandes e que reúne contos de escritores brasileiros feitos a partir da obra de Guimarães Rosa,  será, conforme nota publicada no Diário de Pernambuco, objeto de leitura nas aulas de Literatura Brasileira na Sorbonne. Jacqueline Penjon, titular da matéria, fez da obra de Guimarães Rosa tema de sua tese de doutorado e está curiosa para ver como os autores desse livro idealizado por Rinaldo releram e revisitaram contos ou novelas do autor de Grande sertão: veredas.

Vale ressaltar, que recentemente o livro foi alvo de matéria da revista Época.

A obra foi editada pela Garamond.



Escrito por Linaldo Guedes ?s 08h12
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A dedicatória de Chacal (1)

Amador Ribeiro Neto

Tive a felicidade de participar de uma mesa redonda no FENART discutindo a atualidade da Poesia Marginal. Chacal foi o palestrante. Falou da geração mimeógrafo e “offset”. Discorreu sobre a espontaneidade desta poesia. Falou do processo de composição gráfica e temática de seus livros. Lembrou os tempos de “fumar unzinho” e aplicar um ácido. Discorreu sobre a geração desbunde. Tanto na poesia como na contracultura. Chacal foi simpático. Ou como me disse o Linaldo Guedes: “Chacal é um doce”.

Tudo correu livre, leve e solto. Até que li seis páginas de um texto que questionava a existência da Poesia Marginal enquanto “poesia”. Chacal respondeu que a Poesia Marginal inexistia há 30 anos. Não retruquei. Eu não estava pondo em discussão a existência da obra dos “poetas” marginais. Aí está, reeditada, a obra de Cacaso, Nicolas Beher e do próprio Chacal. Pode até parecer, mas não sou louco. Nem louco varrido. Não questionei a materialidade da “obra” “poética” produzida na década de 70. Tanto que em meus cursos de Teoria da Poesia, na UFPB, trabalhei a Poesia Marginal.

Mas aprendi com velho amigo judeu um provérbio, se não me falha a memória, judaico que diz mais ou menos assim: se um cavalo te dá um coice, você não vai dar um coice nele. Você segue seu caminho. Mas se um cara te dá um tapa você retruca com um soco. Penso que me faço entender.

Apoiei-me em Glauco Mattoso e em Carlos Alberto Messeder Pereira, que publicaram livros sobre a Poesia Marginal, para dizer que não existe um movimento desta poesia. O que há são “poetas” dispersos usando tanto a precariedade de impressão como uma maior precariedade: a estética. E aí lancei meu questionamento: se a Poesia Marginal é poesia, por que as análises que fazem dela são antropológicas, sociológicas, históricas e o escambau? Tudo, menos análise poética. Me interessa saber onde está a Poesia da Poesia Marginal. Este grupo de “poetas” fazia (e pelo jeito ainda faz) questão de declarar desconhecimento da tradição da poesia – tanto brasileira como internacional. E assim repetem procedimentos vencidos esteticamente. Pior: pensam que fazem o novo.

Poesia é linguagem. Ou seja, poesia pertence ao domínio da Estética. Citei Antonio Candido ao explicitar que faz-se crítica literária com os elementos intrínsecos da obra. Já  sociologia da literatura faz-se privilegiando os fatores extrínsecos da obra. Nada disto foi levado em conta no debate. Nem por Chacal, nem pelos presentes.

(Coluna de Amador Ribeiro Neto publicada no jornal A União desta terça-feira. O tema é complexo e polêmico. Semana que vem, Amador conclui sua opinião sobre. Depois, vou dar meu pitaco)



Escrito por Linaldo Guedes ?s 15h25
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